GASTRONOMIA · PIZZA · 2026
Em Buenos Aires a melhor pizza muitas vezes se come em pé, com o cotovelo num balcão de mármore e um pedaço de fainá por cima. Seis lugares ainda fazem assim.

Fugazzeta do El Cuartito. Foto: ProtoplasmaKid, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.
Esqueça por um momento a pizza de São Paulo e a italiana. A de Buenos Aires chegou com os imigrantes genoveses e napolitanos e depois seguiu seu próprio caminho: mais alta, assada na forma, com muito queijo, e para comer rápido. As pizzarias mais antigas da cidade nunca foram restaurantes para sentar e esperar. Você entra, aponta uma bandeja e come seu pedaço em pé no balcão enquanto a cidade passa pela porta. Os portenhos chamam isso de pizza al corte, pizza no corte.
Ainda é uma das refeições boas mais baratas da cidade. Estas são as seis pizzarias históricas que continuam vendendo em pedaço, de 1932 a 1978, com o que pedir em cada uma. Primeiro, as palavras que você vai precisar.
Antes de pedir: cinco palavras
Muzza é a muzzarella, a pizza só de queijo, a régua com que se mede cada casa. Fugazza é a pizza de cebola, descendente portenha da focaccia genovesa; a fugazzeta leva queijo, e a fugazzeta rellena é recheada, com o queijo entre duas camadas de massa sob a cebola, uma invenção portenha atribuída à Banchero, uma pizzaria de La Boca. A napolitana, aqui, é uma muzza com rodelas de tomate fresco e alho, nada a ver com uma pizza de Nápoles. A fainá é uma massa fina de farinha de grão-de-bico que veio de Gênova: peça junto com o seu pedaço e coloque por cima, o que se chama comer a caballo, a cavalo. E para beber, o clássico é o moscato, um vinho branco doce.
01 · PIRILO
SAN TELMO · DESDE 1932 · SEM MESAS NEM CADEIRAS
O menor balcão de San Telmo
Uma portinha estreita na Defensa, a rua da feira de domingo, tão simples que muita gente passa reto. A família Vizzari abriu em 1932 e Juan Vizzari, apelidado de Pirilo, deu o nome à casa; hoje quem toca são as filhas dele. Não há mesas nem cadeiras: come-se no balcão de mármore ou na calçada, sob as flâmulas do Club Atlético San Telmo, o time do bairro, com o forno a lenha ao fundo. Nas bandejas, os clássicos: muzza, fugazza com ou sem queijo, anchovas e fainá.
Quando: fecha às segundas. De terça a sexta abre no almoço e à noite, mas no fim de semana só à noite: se você vier para a feira de domingo ao meio-dia, vai encontrar fechado.
→ DEFENSA 821, SAN TELMO
02 · EL CUARTITO
RETIRO · DESDE 1934 · A FUGAZZETA
Um museu do esporte que serve pizza

A porta do El Cuartito. Foto: ProtoplasmaKid, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.
A mais conhecida das seis, hoje nas mãos da terceira geração da mesma família. As paredes são cobertas de pôsteres, fotos e flâmulas esportivas, e há salão se você quiser sentar. Mas a tradição é o balcão da entrada, onde se come em pé. Peça a fugazzeta, que é a fama da casa, com um pedaço de fainá.
Quando: de terça a domingo, das 12h30 à 0h30; fecha às segundas.
→ TALCAHUANO 937, RETIRO
03 · LA MEZZETTA
VILLA ORTÚZAR · DESDE 1939 · A RECHEADA
Uma pizza só, e nenhum lugar para sentar
La Mezzetta nunca teve uma cadeira. Ela existe para uma coisa, a fugazzeta rellena, uma pizza alta com uma camada grossa de muçarela escondida sob a cebola, e vende cerca de 150 pizzas inteiras por dia. Um pedaço é um almoço. Fica na avenida Álvarez Thomas, onde Villa Ortúzar encontra Chacarita, a poucos minutos de carro do cemitério da Chacarita.
Quando: de segunda a sábado, das 9h até a meia-noite ou a 1h; fecha aos domingos.
→ AV. ÁLVAREZ THOMAS 1321, VILLA ORTÚZAR
04 · LOS CAMPEONES
BARRACAS · DESDE 1954 · A PARADA DOS DIAS DE JOGO
Na pedra, para quem é do futebol
Quatro amigos fanáticos por futebol abriram a casa em 1954 e deram a ela o nome do que mais importava para eles. Ainda assa em forno a lenha de quebracho, e o estilo da casa é a la piedra, uma pizza fina e crocante assada na pedra, embora a versão alta de forma também esteja lá. Os torcedores do Boca param aqui antes ou depois de ir à Bombonera. Segundo a casa, os pedaços saem mais no almoço, das 12h às 15h.
Quando: de terça a domingo, das 8h à meia-noite; fecha às segundas.
→ AV. MONTES DE OCA 856, BARRACAS
05 · ANTONITO
BOEDO · ANOS 70, REABERTA EM 2026 · A QUE VOLTOU
Uma esquina de Boedo, de volta depois de trinta anos
Antonito abriu nos anos 70 na esquina da Carlos Calvo com a avenida La Plata, fechou, e ficou quase trinta anos fechada. Reabriu em abril de 2026 com a fórmula de sempre: pizza de forma, muita muçarela, fainá e moscato com gelo. Segundo a TimeOut Buenos Aires, Luis Alberto Spinetta e Fito Páez, dois gigantes do rock argentino, eram frequentadores enquanto gravavam o disco La La La num estúdio ali perto. Os novos donos puseram o balcão de volta no centro, e os clássicos estão todos lá: muzza, napolitana e fugazzeta rellena.
→ CARLOS CALVO 4335, BOEDO
06 · EL PADRINO
VILLA CRESPO · DESDE 1978 · A FAINÁ DE CORTESIA
Um pedaço de fainá por conta da casa
Abriu em 1978, o ano em que a Argentina sediou e ganhou sua primeira Copa do Mundo, num salão pequeno na Honorio Pueyrredón. Hoje quem toca é Lautaro, filho dos fundadores. É só balcão, com rock de fundo, e mantém um costume raro: um pedaço de fainá vem de cortesia com o seu pedido. No almoço alimenta quem trabalha na região, e nas noites de show enche de fãs a caminho do Movistar Arena, que fica perto.
→ HONORIO PUEYRREDÓN 1710, VILLA CRESPO
Quanto custa um pedaço, e como se organizar
No fim de setembro de 2026, o levantamento do jornal Clarín nessas pizzarias colocava o pedaço de muzza entre cerca de 3.500 pesos (Pirilo, El Padrino) e 4.800 pesos (El Cuartito). As especialidades como a fugazzeta rellena custam mais. Os preços em pesos mudam com frequência, então use como referência, e leve algum dinheiro em espécie: são casas à moda antiga.
Três das seis (Pirilo, El Cuartito e Los Campeones) fecham às segundas e La Mezzetta fecha aos domingos, então planeje o roteiro de terça a sábado. As seis estão espalhadas pela cidade, de Barracas no sul a Villa Ortúzar no norte, e fazer três numa tarde é realista de carro. Se só der tempo para um nome famoso, a Güerrín, na avenida Corrientes, também vende em pedaço no balcão.
Perguntas frequentes
O que é a pizza al corte?
A pizza vendida em pedaço. A pizzaria assa pizzas inteiras em bandejas, corta em porções e vende uma a uma no balcão, onde a maioria come em pé. É o jeito mais antigo de comer pizza em Buenos Aires, e continua sendo o mais rápido e o mais barato.
Quanto custa um pedaço de pizza em Buenos Aires?
No fim de setembro de 2026, um pedaço de muzzarella custava entre cerca de 3.500 e 4.800 pesos nas seis pizzarias deste guia, segundo um levantamento do jornal Clarín. As especialidades como a fugazzeta rellena custam mais, e os preços em pesos mudam com frequência.
O que é a fainá e como se come?
Uma massa fina de farinha de grão-de-bico trazida pelos imigrantes genoveses. Em Buenos Aires você pede um pedaço junto com a pizza e coloca por cima: isso é comer a caballo, a cavalo.
Qual dia evitar?
Segunda-feira. Pirilo, El Cuartito e Los Campeones fecham às segundas, e La Mezzetta aos domingos. Planeje o roteiro para um dia entre terça e sábado.
Comer em pé, como um portenho
Esses lugares têm algo de honesto. Sem reserva, sem menu degustação: uma bandeja, uma faca, um balcão de mármore e gente de todo tipo comendo o mesmo pedaço. Peça uma muzza, coloque a fainá por cima e fique um minuto a mais do que o necessário.
Monte seu roteiro de pizzarias. Fale com a gente no WhatsApp +54 9 11 7817-3383 ou reserve um tour privado com motorista para ir de Barracas a Villa Ortúzar, um pedaço de cada vez.